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Deputados apoiam luta por valorização da Polícia Científica

Deputados apoiam luta por valorização da Polícia Científica

Com galerias lotadas de policiais, parlamentares reforçaram reivindicação dos servidores por estruturação da carreira

Por Redação Web Ales, com edição de Nicolle Expósito 02/06/2025 – 18h12

Deputados cobraram do Executivo envio de projeto para a Ales que contemple a PCIES / Foto: Ellen Campanharo

Durante a fase do expediente da sessão ordinária desta segunda-feira (2), vários deputados estaduais manifestaram solidariedade aos policiais científicos capixabas, categoria que mais uma vez lotou as galerias do Plenário Dirceu Cardoso cobrando estruturação e plano de carreira. Criada por Emenda Constitucional aprovada e promulgada em outubro de 2022, a Polícia Científica (PCIES) ainda precisa de um estatuto (lei orgânica) garantindo autonomia formal e revisão de carreiras.

Para os parlamentares, a situação exige do Poder Executivo a garantia do que já foi acordado com os próprios servidores. “Uma questão que está rodando nesta Casa desde 2019, tanto da regulamentação da profissão e da estruturação do órgão, quanto da tabela de salários e suas devidas funções. Precisamos modernizar. Todas as políticas de segurança pública nos países mais civilizados nesse mundo valorizam a Polícia Científica. (..) Aqui no Espírito Santo é o inverso, para criar foi um parto”, adentrou no tema a deputada Iriny Lopes (PT).

Segundo a petista, praticamente todos os deputados estão alinhados à necessidade de aprovação final desta matéria, mas com tabela, com estruturação de fato da Polícia Científica.

A deputada Camila Valadão também criticou a demora por uma revisão daquele que seria “o pior salário do país”. “Tempo está mais do que vencido para o governador”, afirmou. Camila cobrou ainda um projeto debatido com a categoria e não “construído em gabinete”.

Também cobrando um projeto, o deputado Lucas Polese (PL) considerou que a situação demonstra que o governo do Estado teve um diálogo com a Polícia Científica que não está sendo cumprido.

“Se dependesse desta Casa aqui vocês teriam aumento, mas ela não pode criar despesas para o Poder Executivo. Então a gente fica refém de um projeto que seja enviado pelo governo do Estado, e é isso que a gente espera do governador”, afirmou Polese.

Os deputados Alexandre Xambinho (Podemos), Denninho Silva (União), Alcântaro Filho (Republicanos), Coronel Weliton (PRD) e Engenheiro José Esmeraldo (PDT) também registraram solidariedade à categoria.

Para Denninho, a situação “já está fazendo vergonha”, pois “temos muito dinheiro no caixa (estadual)” e a Polícia Científica merece ser respeitada e valorizada. Já Alcântaro chamou de contrassenso um estado que “bate no peito a nota A+ do Tesouro Nacional” não apresentar a reestruturação da categoria.

A cobrança por uma definição a favor dos policiais também foi feita por Janete de Sá (PSB) e João Coser (PT). Janete lembrou que a massa da polícia científica vem, nas galerias da Ales, lutando há anos para ter salário digno. Elencando diversos serviços públicos que são de responsabilidade da categoria, a deputada ressaltou que “a população muitas vezes não vê esse profissional” e que o governo capixaba só precisa “cumprir o que prometeu”.

“Merece carinho, consideração, respeito, aplauso, mas aplauso não enche barriga de ninguém, o que dá dignidade e coloca comida na mesa das pessoas é o salário. Contem com meu apoio, porque realmente é de humilhar todos nós essa situação que vocês estão passando”, dirigiu-se Janete às galerias.

Corroborando as falas dos colegas, João Coser destacou que “promessa não paga boleto e estatuto sem salário também não vale”. Afirmou ainda que todos os deputados almejam que o governo mande um “projeto decente”.

Presidindo a sessão, o deputado Delegado Danilo Bahiense (PL) ressaltou que falar dos profissionais da Polícia Científica do ES é falar “dos profissionais mais capacitados do país”, mas que recebem “o pior salário da Federação”.

Após as diversas críticas ao impasse envolvendo a estruturação da corporação, o deputado líder do governo, Vandinho Leite (PSDB), afirmou que a questão será discutida ainda nesta terça com a Casa Civil estadual.

“Sei a importância da entidade, eu tenho proximidade muito grande com vários deles. Às 17 horas eu tenho uma reunião com o chefe da Casa Civil, já falei com o governador ao telefone. Nós temos, na verdade, a questão que neste ano a receita não tem aumentado em comparação ao ano passado. Mas é verdade que teve, sim, o diálogo do governo e nós vamos buscar o caminho porque essa precisa ser a categoria de maior prioridade neste momento para o governo dar resposta”, afirmou Vandinho.

Ordem do Dia

A sessão ordinária desta segunda-feira ficou restrita à leitura do Expediente e aos informes dos parlamentares. Em razão de solenidade marcada para as 17 horas, a sessão plenária foi encerrada antes da fase da Ordem do Dia. Com dez vetos do governador Renato Casagrande (PSB), a pauta de votação será retomada nesta terça-feira (3), no mesmo horário, a partir das 15 horas.

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